domingo, 24 de março de 2013

De você.

Aprendi a amar.
Aprendi a amar seus defeitos e suas lamentações.
Aprendi a curar suas dores e cegar em seus clarões.
Aprendi a aprender com sua lucidez, e mais com sua loucura.

Aprendi a esperar.
Esperar que passem seus desesperos.
Esperar que volte ao meu peito,
E me cubra com seu amor febril.

Aprendi a desesperar.
Quando você sai,
Quando você vai,
E eu não sei se vais voltar.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Festa.


Eu quero me vestir de carnaval.
Correr ladeira, pular trio...
Eu quero me vestir de São João.
Pular fogueira, soltar balão...
Eu quero me vestir de festa,
E dançar pra você a dança de acasalar....
E ser feliz, e me vestir de Brasil, e me despir pra você!!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A ti, Morena.

Cor dos meus dias.
Perfume das minha flores, amarelas, vermelhas, azuis...
Colore meu peito novamente.
Toma-me inteira e esqueça o mundo.
Cala-me a boca num grito surdo, pra só minh'alma ouvir
Pra que meu canto soe novamente
Pra que minhas mãos corram mais uma vez os caminhos de bem querer
E diga que bem me quer
E me faça deixar de pedra, pedra no caminho
E sim caminho, para lhe fazer correr
E sim amor novo, velho amor novo, pra lhe amar de vez
Pra lhe fazer minha de vez
Pra não deixar passar mais uma vez o momento de ser feliz
Me corrija, me ponha em uma cruz e finque os pregos do seu desejo e da sua vontade
Que eu serei só satisfação ao te servir.
Ao te fazer relembrar de mim.
Queira novamente meus lábios carmim
Minha branca tez.
Me beba como capuccino,
Me coma como pão quente
E me deixe novamente fazer parte de ti...
Oh, Cor dos meus dias!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Hoy"

E quando se perde o gosto, o gostoso sabor da chuva na terra?
E quando se perde o sal do doce e amargo do sal?
E quando se apura em não se ouvir, em não sentir quando se está do lado?
E quando a presença te incomoda?
E quando a presença olfativa de atrai?
E quando a presença te incomoda?
E quando outra presença te distrai?
E quando são gritos pra chamar a atenção?
E quando é incompreensão?
E quando são tortos os caminhos?
E quando não o são?
E quando se acha que não era pra ser?

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Paralelo".


Eu quero voar, Vento
Em teus redemoinhos e cachos ao chão
Não me deixe assim, não
Me sopre de volta pra onde for
Seja lá onde o onde for

Não sei calar
Pedra falante de desenho animado
Pedra sabão de carinho moldado
Pedra de areia em morro de barro

Não sei ouvir
Orelha de livro gastado
De elefante no circo domado
De surdez aguda e ouvido arrancado

Não sei voar, Vento
Em teus redemoinhos e cachos ao chão
Não me deixe assim, não
Me sopre de volta pra onde for
Seja lá onde o onde for

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Se...




***

Ah! Se soubesses, minha Flor
O tanto que quero regá-la com meu amor.
Ah! Se soubesses, minha Flor
O tanto que quero tê-la em minha lapela.
Ah! S.e soubesses, minha Flor
O quão triste é meu jardim, quando recolhe-se a um canteiro distante
Ah! Se soubesses, minha Flor
Ah! Se soubesses...

***

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Tecnologia do Amor.

***

_ Deitei aqui, a cama gelada, to procurando você pra me esquentar...


     _ To chegando aí ao teu lado... Levantando a manta, te abraçando pelas costas e te beijando inteira...


_ E eu ouvindo seus movimentos leves a se achegar, me arrepiando muito antes de você respirar...


   _ To te cheirando o pescoço e envolvendo-te a cintura em meu abraço... Você solta seu suspiro costumeiro e se encosta em meu colo...


_  Me viro com o comandar de sua mão nas curvas, indicando "E" (estacione no meu peito). Adoro deitar nele, me sinto mais sua e mais segura.


   _E eu te acolho em meu colo... Feche os olhos meu amor... Que mesmo com ciúmes de Morpheu deixo ele embalar junto a mim teus sonhos! Ouça meu sussurrar antes de cair em sono profundo "TE AMO"..


_ Eu também te amo...


    Boa noite...

    (sono) ZzZzZzZzZzZzZz...

   _ ZzZzZzZzZZZZZzZz.....



***


Autoras: Jéh Oliveira e Marlua Sousa
21 de Agosto de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Meu Pão.

*** 

Quando saio do mar nostálgico em que me encontro,
Me afogo em tua boca a me beijar.
Quando encontro a terra fértil em meu pensamento para lhe escrever,
Me deito calma em teu busto a me olhar.
E assim, em devaneios sadios e ideias loucas sigo a te amar.
Bebo-te a alma, com calma e fúria.
Como-te os pensamentos com fervor e frio sem cobertores.
Só as pernas a cantar meu riso, e os braços a acalmar meu gozo.
E inteira, sorvo-lhe os pedaços...
Decote, ventre, coxas, lábios...
E aos pedaços, entrego-me inteira...

Seios, mãos, costas, língua...
A amar-te, a sorver-lhe, a comer-te o âmago. A viver de ti!
***

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sertaneja.


***

Acordo e vejo a vida em listras preto e branca
E um roçado moreno em meu leito calmo
Uma flor de mandacaru, sombreando o sol que me incomoda.
As coisas mudaram de lugar
Nas laterais da minha visão, a mata.
No chão, as nuvens
Em mim, a chuva
Chuva de desejo e ternura
Mãe terra, Gaia dos meus mais íntimos sonhos
Me gerando em teus braços
Me ninando em abraços
Gata manhosa em minha cama.
Leoa faminta em meu cobertor.
  
***



terça-feira, 24 de julho de 2012

O Broto.

Eu quero teu amor fecundo
Quero tua boca de dizer não em um sorriso
Quero teus lábios de dizer sim em um gemido
Quero saber-te tudo, quero beber-te toda
Quero correr-lhe as curvas como um rio
Quero salgar-lhe as coxas como o mar
Quero iluminar-lhe o colo como a lua
E no vasto mundo que me encontro me entregar.

Vem, Flor, desabrochar em meu gramado
Vem, Flor, que eu sou abelha em teu céu
Vem me permitir o mel
Tira-me da boca o fel.
E colore meus dias, meus voôs 

Vem, água benta, ser orvalho em minha manhã
Vem, água benta, pecado de maçã
Vem, água benta, roçando em minha pele 
A pele tesa e macia, o calor e o suor do dia
Permita-me orgias serenas, e amores ardentes
Vem em meu solo, semente, e brote o seu cantar, o seu amor, o seu amar!



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Le(ã)oa Minha.


Se foram suas mãos, seus lábios, seus seios que me tomaram não sei. Só sei que senti-me tomada em leves goles, uma taça de vinho transbordando , e seus lábios me contendo e ao mesmo tempo me  derramando.
Toquei sua pele  levemente e  enrosquei meus dedos em seus cabelos. Um leão, um lindo leão me cobrindo com sua pele macia e sua juba sedutora.  Me devorando como uma presa fácil. Fui uma presa fácil, presa entre suas presas.
Me sinto tomada, domada, por essa febre que me entorpece como álcool e estômago vazio. Por esse querer-te feito fome e prato vazio. E esse leito cheio e quente feito colo e cobertor de lã.
Como duas gatas no cio... Felinas, selvagens, rasgando as horas como a pele de um cordeiro, rasgando a noite como seda chinesa nas mãos de Vikings,  sentindo o frio se dissipar pelo fervor de suas coxas, pelo calor de seu íntimo, úmido e firme. E seus movimentos precisos em minhas mãos, em minha língua, numa dança de acasalar.
Olhos fechados, seios me olhando, mãos me apertando, pernas cedendo a mim, ao meu desejo, à minha luxúria, ao meu clamor. Roçando os quadris em meu íntimo, em meu colo, em minha face, em meus pensamentos.
Deslizo as mãos, dedos, lábios... para te encontrar. Sorvo-a em goles largos e demorados. Aprecio seu gosto, sua temperatura e seu suor. No meu leito, raso ou fundo, cama ou chão, claro ou escuro, em pé ou não; o único desejo é tê-la novamente em minhas mãos.

Marlua Sousa
         17/07/2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Meu Desejo é Teu Desejo".


***

Quero seus olhos fáceis
Sua boca de chorar
Suas mãos de fazer poesia.
Seu corpo de fazer sinfonia
Seus ouvidos de olhar meus delírios
Suas pernas de deitar o infinito
Teus braços de andar pelo mundo
Teu sorriso de piscar meus momentos
Tua pele de fotografar nosso amor

***

segunda-feira, 16 de julho de 2012

J(a)(éh)


Onde estão seus olhos de ressaca?
Onde estão seus lábios de pecado?
Onde está você tão longe de mim?

Queria desenhar acordes nas linhas do teu corpo.
Queria solfejos doces ao pé do ouvido.
Queria o arfar do peito embaixo do lençol.

Lembrar da sinfonia que compusemos na madrugada.
Lembrar do quanto fui teu pão, teu vinho e tua água.
Lembrar do colo quente e cama desarrumada.

Quero mais música, poesia.
Pois em teus olhos leio a face do infinito.
Em teus lábios, um mar profundo.
Em teu corpo, Gaia.
Em você, pedaços de mim.

sábado, 30 de junho de 2012

Sê-lo.



As mãos que eu procuro em meu corpo.
Os olhos que eu procuro em meu rosto.
A boca que eu procuro em meus lábios.
Queria ser inteira pra você.
Ter sabor de maçã, fresca, doce...
Não deixar esse gosto amargo em sua tarde,
Este gosto salgado em meus olhos.
Queria sê-lo, inteiro, febril... Intenso!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sob(re)Voar

E acordou com um anjo ao ouvido, num bom dia enamorado. Espichou as pernas, o corpo, os braços e o sorriso acordando para um sonho. O sol esquentava suas bochechas e o anjo esquentava seu coração.
Espera ansiosa, espera... espera... Esperou tanto tempo para voar nas asas desse anjo que alguns minutos não a fariam desitir.
Enfim... O anjo chegou! Sorriso de sol, olhos marejados, asas abertas num abraço de sopro de Vida... Vida Minha!
Voaram leves, demorados, com o pensamento em um único lugar... o mesmo lugar... é o mistério que somente a menina e o anjo guardam para si... É um lugar cheio de água cristalina, de banhos de sol e de Lua, de mata verde e sombra aconchegante.
É dia de promessas e afagos, de laços e enlaces. E o anjo devolve a menina para a realidade. Na noite escura seu clamor, seu cantar... tudo é voltado para este anjo, para que ele a escute e volte.
Um novo sol, uma nova aparição, um novo vôo. Um novo abraço, um novo laço, um novo afago!
Novos cantos ao ouvido do anjo... Ele a escuta, ele se embriaga e se hipnotiza naquele mundo que é só dela. Voam para um local só deles. Aquele mistério de paraíso onde o anjo se torna homem e a menina se torna mulher. Onde o amor é permitido em todas as suas faces. E se amam!
Uma noite escura, sem canto ao ouvido, sem cantar de longe que seja. Mas ela ainda não acordou do sonho. Ela fecha os olhos e cai numa realidade menos colorida que a de outrora, pois acordar para o sonho é bem melhor.
Um outro sol, a busca pelo anjo. Ela corre sozinha, pois sem ele não sabe voar! Ela quebra as barreiras da realidade preto e branco que lhe ofusca os olhos, tudo somente para ser enlaçada nas asas do seu anjo. E voam de mãos dadas onde nada pode tocá-los, nada pode afetá-los, pois o momento é só deles. Buscam mais um mistério em seu mundo. O escuro, a fresta da janela, as mãos, os lábios, a carne semi nua, os movimentos das asas de ambos... Sim! Ela criou asas! E sobrevoam juntos esse mundo num grito, num arfar do peito nu, e se deleitam, e se deitam, no chão, em si, nas nuvens... E se encontram eternamente no mistério de seu mundo vasto mundo, onde os anjos e as meninas se amam como homem e mulher, sem pecado, porque ela é a sua Vida, e ele... Vida Minha!

09/06-12/06

terça-feira, 22 de maio de 2012

Enfim.



Passo frio de corpo, passei frio de alma, frio de coração.
Passei por onde já havia passado e me ferido, e me magoado e me perdido, mas voltei.
Voltei para aquecer o corpo, engrandecer a alma, cozer algo no coração.
Voltei em círculos tortos, ovais e por vezes quase tênues mesmo ferida, para me encontrar, e fiquei.
Fiquei presa em teus braços, dei-lhe minh'alma e um pedaço do meu coração.
Fiquei inerte naquela forma que se chama cama, que me chama a ti, que me prega a alma ao coro, ao mundano e acelerei o coração.
Acelerei para sair e voltar o mais rápido pra ti, e paralizar a alma e bombear seus doces afagos por todo o corpo como meu coração.
Acelerei para parar a inércia que nos prendia ao passado, que nos feria a alma e esvaziava o coração.
Cheguei enfim, aos teus abraços, toquei tu'alma e cozi-lhe o coração ao meu.
Cheguei enfim, e conheci aquilo que não me 'inerce', que não me fere, que me preenche e me permite não chegar ao fim, enfim.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O que já havia em mim.



Me embriaguei em seus momentos.
Solucei de tanto gozo.
Me entorpeci em seus novos gostos.
Me enlouqueci em tudo tão velho e tão novo.

Senti seu beijo como um buraco negro a me sugar.
Deixei-me levar...
Apertou-me os músculos, os ósculos, os olhos.
E me bebeu mesmo assim, bem devagar.

Na porta, na rua, na cama e em teu sonho.
Abriu-me o ventre e me pariu.
Parto natural, de mãe febril.
Parto natural, de amor que ressurgiu.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Aqui Dentro.



É este viver insano. É vontade de comer o tempo sem saber digerí-lo.
A vontade de nada, a vontade de tudo. Dos prazeres, dos desfazeres.
Ouvi e sei que sim... Não sou santa, não sou puta, vivo livre.
...
Meu gozo é de outros, quando deveria ser teu?
Meu riso é falso, quando deveria ser contigo?
Meu amor é relatado, e delator... Quando deveria ser contido!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

(A)Manhã.



Queria um cobertor de pele nesse frio passageiro.
Queria que não fosse passageiro os calores aqui de dentro.
Borboletinhas no estômago.
Vazio frio na cama.
Coração sobrando.
Alguém faltando.

Queria um 'xêru'  prolongado no pescoço.
Mãos na cintura por tempo demorado.
Passarinhos nos ouvidos.
Roupa faltando.
Mente voando.
Alguém por vir.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Aqui Onde Habito.




Quero escrever trovas, compor melodias, pintar quadros, sujar os dedos de massa de bolo, cozer colchas de retalho.
Quero fugir do mundo, fugir do povo, fugir da cama e fugir de mim.
Quero encontrar novos olhos, novos odores, novos abraços, novos lábios, novos falsos amores até encontrar um novo eterno amor.
Quero levantar da poltrona para fazer um filme e não somente assisti-lo.
Quero correr dentro d’água e não me afogar. Afogar-me somente de tédio para que eu tome rumos para acabar com ele.
Quero comer bolo de chocolate e não me preocupar com as medidas.
Quero ser árvore que cresce em direção ao sol, quero ser ave que voa com o vento, quero ser água que corre todo o mundo, quero ser terra para firmar-me em um leito calmo, um leito raso, ou leito profundo e caudaloso.
Quero chuva na janela e chá no bule. Quero lareira e manta de lã.
Quero também água salgada e corpo nu. Sol queimando a pele e  água de coco.
Quero coxas sedentas em montanha fria. Quero lábios frios em cobertor quente.
Quero mãos nas costas em colchão macio. Quero mãos em todo o corpo em rede a balançar.
Quero às vezes tudo. Queria estar escrevendo em folha, registrando à tinta. Queria mais sabores que dissabores. Amar igual a ser amada. Sentir calafrios e continuar sorrindo dos ‘pelinhos’ que arrepiam no braço, na perna. Quero sentir afagos e ofegar de tudo que me posso permitir, de tudo que me faça tropeçar e também alçar vôo.
Quero vez em quando nada, como esse vazio aqui dentro que me preenche feito um copo vazio cheio de ar a se expandir!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Tolice.

Somos tolos.
Vagabundos e tolos.
Vagabundos e tolos que amam.

Anos desperdiçados.
Carinhos desperdiçados.
Amores desperdiçados.
Por favor, não desperdicemos a volta.

Só, volta...

Volta para esta tola que ama.
Cola nesse coração vagabundo que te ama.
Não solte a mão que te afaga e te chama.

Somos tolos.
Tolos amantes.
Tolos brigões.
Bicudos tolos.
Tolos que amam.

Abraça minha tolice.
A tolice de quando penso não mais querer,
Acabe com ela.
A tolice de tentar viver eternos segundos sem você.
Arranque-me o relógio.
Tolice de querer olhar nos olhos e nada sentir.
Cega-me a tolice.
A tolice que queima dentro de mim porquê ama.

Só te peço...
Tome de um gole ó essa tola que te chama!
Ame de pedaços infindos, essa tola que te ama!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Tudo Pra Ti.





Tanto tempo, tão pouco tempo;
Tão pouco tempo, tanto amor;
Tão pouco amor, tanto sem você;
Tão pouco sem você e já tão imensa saudade;
Tão pouca saudade e já tanta saliva;
Tão pouca saliva e tanto gozo;
Tão pouco gozo e tanto cansaço;
Tão pouco cansaço e tanta vontade;
Tão pouca vontade e tanto libido;
Tanto libido e tantas poucas horas para gastá-lo;
Tão poucas horas para quem tem eternidades de amor,
Amor para lhe oferecer e receber de ti.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Passado, Presente, Futuro.


Foram os tempos necessários.
Os tempos que se passaram sem percebermos.
Do amor que brotava há vinte anos, ou tempo mais,
Pois os tempos se perdem no tempo quando a palavra é AMOR.

Foram os desejos necessários.
Os desejos que se passaram por nós em outros colos, outros braços.
Do desejo que brotava há vinte anos, ou tempo mais.
Pois os desejos se perdem nos lábios, nas coxas, no íntimo quando a palavra é AMOR.

Foram os reencontros necessários.
Os reencontros que se deram nos fazendo perceber um ao outro.
Dos reencontros que se dão há vinte anos, ou tempo mais.
Pois os reencontros nos fizeram não nos perdermos de vista porque a palavra é AMOR.

Será a vida necessária.
As vidas que se entrelaçaram sem percebermos.
Do amor, desejo, reencontros, da vida dividida há vinte anos ou tempo mais.
Porque agora em nossa vida será conjugada apenas a palavra AMOR.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Gueixa.


Desenho de Marlua de Sousa Correia

Na sua boca vermelha comes o mundo e bebe o tempo,
Embalsamando o dia com ar de amora... com ar de amor!
Nos seus olhos pequenos enxerga a bonança em terras de Trol.
Em seu pouco busto, o coração de eras inimagináveis, e fidelidade canina.
Em tuas mãos, oferenda, para quem sabe tê-la, nos braços, em abraços!



Texto escrito em 29 de Março de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

Estações.

Desenho de Marlua de Sousa Correia


É esta primavera dentro de mim.

Primavera que não consegue dar lugar ao inverno.
No máximo um outono, com folhas que caem rapidamente.
E novamente a primavera!!

É este verão dentro de mim.
Verão que não consegue dar lugar ao inverno.
No máximo um outono, com folhas a se recompor.
E novamente a primavera!!

São estas estações dentro de mim.
Que só me fazem aquecer a alma, e talvez o corpo.
Num cobertor de amar, numa cama de aninhar,
Em um beijo de calar a boca e pecar a gula.

É esta estação fora de mim.
Que eu persigo para esfriar a mente, o ventre.
Sem cobertores, sem camas, só calafrios.
Com a boca aberta num grito e o estômago da alma vazio.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Provir.



Desenho de Meg Sousa


Hoje não carrego mais mágoas no peito, elas se esvaíram em meus olhos.
Hoje não carrego mais nada por dizer, as palavras já estão gravadas no papel.
Hoje não carrego mais ninguém além de mim dentro de mim.
Hoje não carrego futuros além do meu presente.
Hoje não carrego presente que não me dê futuro.
Hoje, e mais ainda hoje, não carrego passado, pois ele pesa no presente e apaga o meu futuro.

Amanhã carregarei mágoas no peito, e chorarei.
Amanhã engolirei as palavras até que estas estejam escritas.
Amanhã estarei cheia de alguém além de mim, porque sei bem quem me quer.
Amanhã meu futuro será o presente.
Amanhã meu presente há de me trazer um futuro.
Amanhã, e mais ainda amanhã, carregarei meu passado.

O ontem não existiu. E ponto.

Para Quem Quiser Ouvir.



Vou aprender a voar. Aprender a voar para não cair nos precipícios, nos despenhadeiros com uma pedra amarrada ao pé.
Vou aprender a cantar. Aprender a cantar jargões conhecidos e velhas máximas, porque meu canto ninguém entende.
Vou aprender a andar. Andar somente para mim, parar de carregar cargas que não me pertencem, para que eu possa ensinar o outro a caminhar.
Vou aprender a exalar. Exalar meu perfume que poucos conhecem, perfume de fulô e de mato.
Vou aprender a citar. Citar Gandhi, Chaplin, Neruda e Drumond, pois meus poemas não fazem sucesso.
Vou aprender a expor os espinhos que não tenho. Aprender a gritar o grito que não tenho na garganta. 
Vou aprender a cantar a sua música para exteriorizar você de mim, pois não há ar de dominador que agora me domine.
Vou aprender a passar desapercebida, porque o amor que senti não apaga, mas esconde a chama, porque não sei se ele se chama realmente amor.

terça-feira, 20 de março de 2012

Declaração às Avessas.


É saudade que tem em meu peito?
É vontade de estar em seu leito e deleitar teu gozo!
É a imagem do corpo na cama, dos olhos na boca.
É o sorriso nos lábios e a pele em arrepio.
São os cabelos despenteados, a nuca mais quente, a boca mais fria, as coxas mais sedentas.
A calmaria após o dilúvio, a noite após o dia, os bicudos que se beijam.
A dor da partida, o receio da chegada, a vontade do abraço e da caminhada.
As bobices de outrora invadindo o nosso dia.
A distância que aproxima e traz a calmaria.
A declaração em tinta e fibra sem resposta, eu só quero uma coisa, a volta.
Poder roubar-te o riso, e a saliva. E assim torno-me repetitiva.
Gastar a palavra em "amo-te's". Calar a palavra em perdões.
Só quero de volta minha morada, minha caverna, meu porto seguro. 
Só quero o teu corpo, tua mente, o meu ninho.



quinta-feira, 15 de março de 2012

Desabafo.

São as descobertas mais gostosas. Mas também as pedradas mais doídas. Pensei que amar alguém assim tão rapidamente e intensamente fosse mais fácil.
Os lábios doces, agora novamente ácidos a derreter minha alto-estima, meu brio de mulher, minha fragilidade de ser vivo. As mão que acariciam são as mesmas que me estapeiam de longe, mas ainda assim doem. Ouvi Janis com sua voz rouca a cantar aquilo que ela nem sabia por estar num mundo só seu, numa loucura só sua... ou talvez sabia, porque sofria, sofria e cantava o que sofria. Li Sade, e senti vontades, senti asco, senti algo... não sei dizer, mas senti.
Quando me pego a pensar no que é tão bom e tantas vezes tão dolorido me chama a atenção Oscar, que me diz que muitos não se preocupam em viver apenas existem. Eu quero viver, quero muito viver ao lado de alguém que mesmo não estando presente esteja comigo, que mesmo não querendo estar longe o faça apenas por saber que me fará feliz, me dando aquele tempo só meu, que me aceite como moleque que sou, que veja a mulher que há dentro de mim, sem se importar com os estereótipos... Quero alguém que me aceite.
Se achei essa pessoa?? Talvez. Se estou feliz?? Nem sei, e ás vezes sei.. e tantas vezes tenho tanta certeza que sei que cego até a me iludir, e são tão boas a brincadeiras em meu lúdico mundo.
Em você desenhei círculos por todo o corpo, e cavei o abismo que caí. Em você dei meus mais doces beijos, e bebi todo o ácido de sua boca amarga por outros. Em você deitei meu ninho para lá ficar e ver o sol cair e se levantar. Em você plantei a semente que eu jamais queria germinar. Em você me achei, para sentir novamente aquilo que me foi roubado. Em você consegui existir com tudo e nada que eu tinha, por dividirmos aquilo que somos, aquilo que nem sabíamos que somos. Então não me perca assim, não deixe de me fazer o bem somente porque dizem que dois bicudos não se beijam. 
Quero somente que se lembre, que a minha melhor parte está fora de mim. Está em você. Não me perca assim!!

terça-feira, 13 de março de 2012

A Vida Como Ela É.

Vamos criar uma ciranda em que nada faça sentido.
Se o gato quebrou o anel de vidro é por instinto.
Se a gata pintada zigue-zague, zigue-zague e sai, é por seus motivos.

Vamos contar estórias que façam sentido.
Lobo mau é lobo faminto.
Bruxa má é por falta de seu próprio feitiço.
Menina boa é porque aprendeu a dissimular e esconder seus vícios.

Vamos ouvir músicas que embriaguem os sentidos.
Numa canção com amor e afeto, olhar o barco que passa, sentir o vento que chia.
Isso sim é ter em seu minuto um ecoar de alegria, e deixar sair do peito o amor, o querer, num grito.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Essa Deliciosa Descoberta...

Foi a busca por si. A pressa por si. A novidade descoberta por si só.
Fora a mão que acalanta. Fora os olhos gulosos. Fora e é a língua no céu, e no céu da boca.
Seu riso, luz. Tuas mãos, afago. Teu corpo, calor.
Teu sono, miragem. Tua boca, desejo. Teu colo, meu porto.

É  assim, a vida que me permiti viver. 
A vida que me permitiu viver.
A vida que eu permito que viva de mim.
Assim como você é 'de mim'.
Como tudo nos permite ser assim, um.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Tal Noite.

Era uma noite qualquer.
Uma daquelas em que nada se espera além de esperar.
Era uma menina qualquer.
Uma daquelas meninas que nada espera além de esperar.
Era uma pessoa qualquer.
Daquelas pessoas que te faz esperar, esperar por tudo que tem a dar.
Foi a noite a dentro, risos, carinhos, desejos não consumados...
Foi um olho aberto e o ouro fechado, menina e mulher brincando com a sombra das tuas pestanas, longas pestanas...
Foram as pontas dos dedos desenhando as tatuagens já desenhadas no corpo...
A saliva molhando os lábios já molhados e sedentos...
Um anel na boca, anel de saturno que invade a Lua...
Mãos que apertam e acariciam... Pernas que abraçam o mundo a invadir...
Invadiu minha mente e algo mais... 
E que desbrave a terra que nunca cansa de estender-se para que nunca lhe perca... 
Fora ou dentro... Com sorriso "raio de sol flor e cor" (E tive que citar Evandro Correia...rs)
E tudo vivido nesses olhos de gude que querem mais te ver... e te desenhar!!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Minha Chaga.

É isso que me acomete...
Ver a vida passar e correr com ela e nunca chegar.
É isso que acontece...
Quando tropeço e não paro e sigo sem ao menos enxergar.
É isso que me entorpece...
Os calores, os sabores, os amores!

A minha história é gibi, almanaque abril.
A minha ida é caverna do dragão.
A minha lida é a enxada e os pés no chão.
A minha vida é poesia e eterna contemplação.

E as estórias são de fogueira, de lenha na fogueira,
E os cânticos são de honra hipócrita.
E os cantos são dos olhos molhados, e da boca escancarada.

E eu sou com Açúcar e Afeto, sou uma composição de Chico, uma vida que não é minha, numa sala que não é minha, e saio por uma porta que não é minha, só a mente aberta e minha... e a blusa aberta e minha... e a calça aberta e minha... e o peito aberto com um coração que não é meu... que pulsa num ritmo frenético e quer pausa, mas o botão do controle remoto quebrou.